Projeto SerE+ promove conservação da natureza e restauro ecológico na Serra da Estrela

16 | 01 | 2026

O projeto SerE+ – Rede de Áreas de Aceleração de Serviços dos Ecossistemas na Serra da Estrela foi apresentado publicamente no passado dia 15 de janeiro, no Auditório do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), em Seia.

O SerE+ tem como principal objetivo promover a conservação dos valores naturais e o restauro ecológico na Serra da Estrela, criando condições para acelerar os serviços prestados pelos ecossistemas locais, reforçar a resiliência do território face às alterações climáticas e contribuir para a melhoria da qualidade de vida das populações e para a sustentabilidade da economia regional. O projeto pretende criar micro-reservas de biodiversidade na Serra da Estrela, através de ações de restauro ambiental orientadas para a valorização dos serviços dos ecossistemas e para o aumento da resiliência da região.

De acordo com o coordenador do projeto, Pedro Horta, o SerE+ “representa a oportunidade inequívoca de colocar finalmente a conservação da natureza ao lado do progresso e do desenvolvimento regional da Serra da Estrela, com base em princípios de sustentabilidade”. A iniciativa é coordenada pela Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, sendo promovida por um consórcio constituído pelo CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pelo Município de Seia, através do CISE, e pela Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), de Espanha, através da Estação Biológica de Doñana.

O SerE+ arranca com um projeto-piloto a decorrer até 2028, na Senhora do Desterro – concelho de Seia. Os resultados obtidos serão posteriormente aplicados nos municípios de Celorico da Beira, Covilhã, Gouveia, Guarda e Manteigas, todos integrados no Parque Natural da Serra da Estrela. O projeto prevê a criação de bases cartográficas e técnicas de restauro ecológico que permitam a sua replicação nestes seis municípios.

Entre as ações previstas destacam-se o controlo de espécies lenhosas invasoras, a construção de escadas de peixe no rio Alva, a instalação de caixas de abrigo e refúgio para morcegos e aves, a colocação de insetários, a abertura e limpeza de matos, a criação de clareiras, a instalação de pastagens e sementeiras de centeio, bem como o restauro de pontos de água. Está igualmente prevista a elaboração de cartografia de priorização das áreas mais relevantes para a conservação da natureza nos municípios abrangidos.

Numa fase posterior, será desenvolvido o mapeamento dos serviços dos ecossistemas, com base nos contributos das populações locais. Para esse efeito, serão promovidas oficinas colaborativas que envolverão agricultores, pastores, associações florestais, municípios, o Parque Natural da Serra da Estrela e organizações de conservação da natureza, entre outros atores locais, com o objetivo de identificar os serviços dos ecossistemas associados às diferentes classes de uso do solo.

O projeto tem como ponto de partida os impactos dos grandes incêndios dos últimos anos, bem como os efeitos das alterações climáticas. A redução significativa da neve no planalto superior da Serra da Estrela é identificada como um dos impactos mais relevantes, com consequências diretas na captação e filtração de água, um serviço essencial prestado pela Serra a cerca de quatro milhões de portugueses, através das bacias hidrográficas do Mondego e do Zêzere.

O turismo de massas, a desertificação do território, o envelhecimento da população serrana e o êxodo rural são igualmente desafios identificados. A perda de conhecimento e de práticas ancestrais associadas à silvopastorícia tem contribuído para a uniformização da paisagem, tornando necessária a criação de descontinuidades e a implementação de ações de restauro que salvaguardem as áreas mais relevantes do ponto de vista ecológico.

A conservação destes territórios é entendida como um fator determinante para a valorização da qualidade de vida das populações e para o reforço da economia local, reconhecendo o valor intrínseco dos ecossistemas e o seu valor instrumental enquanto prestadores de serviços ambientais gratuitos às comunidades locais, aos visitantes e às atividades económicas.

O projeto SerE+ é financiado em cerca de 200 mil euros, através do apoio da Fundação “la Caixa” / BPI e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

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