História

Oppidum Sena, antiga cidade de Sena, hoje Seia, foi fundada há 2400 anos pelos Túrdulos, povo pré-romano.

De fundação muito remota, esta aprazível cidade fica localizada na vertente ocidental da serra da Estrela. Em Seia, mas também um pouco por todo o concelho, há vários vestígios, desde há muito, da presença humana: antas, sepulturas antropomórficas, caminhos, pontes… são argumentos vivos desse facto.

A região senense apresenta vestígios da civilização romana, mas sofreu também um longo período de domínio árabe, sendo definitivamente conquistada por D. Fernando Magno (rei de Leão e Castela), em 1055. Há referências que este mandou edificar um castelo na zona central da cidade, onde se encontra a Igreja Matriz da cidade. Hoje, dessa provável construção, resta apenas a própria colina, onde atualmente é visível um aglomerado de casas dispostas em ruas estreitas e labirínticas, conducentes a este ponto mais elevado.

Em 1132, D. Afonso Henriques, ainda infante, doa os domínios de Seia ao seu valido João Viegas por reconhecimento de serviços prestados. Quatro anos depois, em 1136, o futuro primeiro rei de Portugal atribui a Seia o seu primeiro foral, designando-a de Civitatem Senam (cidade de Seia), albergando na altura no seu perímetro meia dúzia de pequenas povoações circunvizinhas. Pode dizer-se que foi a partir desta altura que se formou o concelho de Seia.

Nesse foral pode ler-se:

Eu, infante D. Afonso Henriques, Filho de D. Henrique, aprouve-me por boa paz de fazer este escrito de firmeza e estabilidade que firmo pelos séculos sem fim. A vós homens habitantes da cidade de Seia concedo que tenhais costumes muito melhores do que tivestes até aqui e isto tanto para vós como para vossos filhos e toda a vossa descendência. […] E os homens de Seia que pagam jugada que não vão ao fossado, nem ao moinho obrigados pelo senhor. E os cavaleiros de Seia que não pagam renda dos terrenos, não façam nenhum fossado a não ser o de Maio e o Apelido. […] Se um homem de Seia for mercar, se não for mais de duas vezes, não pague portagem. E da terceira vez pague. […]

Entretanto somaram-se outros forais: o de D. Afonso II, em 1217 e o de D. Afonso V, em 1479. Data de 1510 a outorga do último Foral, por D. Manuel I, sendo já o concelho composto pelos lugares de Passarela, Lages, Folhadosa, Pinhanços, Santa Comba, Sameice e outros pequenos casais.

No século XIX, o concelho viria a conhecer um substancial alargamento com a agregação de importantes concelhos tais como Alvoco da Serra, Loriga, Vila Verde, Santa Marinha, Sandomil, São Romão, Valezim, Vide, Vila Cova à Coelheira e Torroselo.

No início do século XX, o concelho estava então constituído por um novo quadro administrativo, com 29 freguesias e cerca de 115 pequenas povoações.

Hoje o concelho integra 21 freguesias, na sequência da reorganização administrativa do território das freguesias determinada pela Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro.

A 3 de julho de 1986, a vila de Seia é elevada a cidade e essa data viria a ser feriado municipal.

A enriquecer todo este vasto panorama histórico, falta salientar o que de mais genuíno tem esta região. É uma região fértil em água, terra de pastos, de primaveras amenas, paisagens deslumbrantes, que muito contribuem para o seu notável património natural e cultural. Os povos fixaram-se aqui há muito, a pastorícia vem do princípio dos tempos e a resiliência humana é admirável. Em suma, esta é uma terra de tradições, com história na indústria têxtil, na gastronomia, com o seu único e saboroso Queijo Serra da Estrela.